Carcavelos no More!
Iniciei hoje a minha época balnear. Que saudades já eu tinha...Saudades de estar descansadinho a ler um livro e passar um puto a correr e encher-me de areia. A seguir passar o mesmo puto em sentido contrário mas agora com a irmã. Um minuto depois regressa com a irmã e mais 5 primos, todos com bolas de areia e baldes de água para atirarem aos pais e quem leva com as sobras acaba sempre por ser o desgraçado que está ali no azimute família-água…neste caso em apreciação, eu!
- Um gajo olha para os “encarregados de educação” (leia-se Batráqueos) e estão entretidos a falar do divórcio da Floribella e do Djaló, enquanto enfardam latas de atum com pão, regados com cerveja, marimbando-se completamente para a segurança dos putos, limitando-se uma vez por outra a gritos estridentes “Não dês murros no primo!” intercalados com “Não dês pontapés à tua irmã que é pequenina!”.
(Não sei o que me irrita mais. Se estas famílias barraqueiras ou se os Senhores Doutores e Engenheiros a dizer para os seus filhos que nem na escola ainda andam “Francisquinho Manuel de Caldeira Cabral, venha já para aqui! Não lhe tinha ditado os trâmites do seu comportamento na praia?!? Você senta-se na toalha e fica imóvel e em silêncio até novas ordens! Não volta a ir brincar com as outras crianças da praia, sabe-se lá se elas lavaram as mãos antes de pegarem nas raquetes! Gravou o que lhe disse na sua cabeça, Francisquinho Manuel de Caldeira Cabral?!? Prepare-se para levar um correctivo na cara!!! ”)
Minutos volvidos, 2 tipas com muito bom aspecto, esponjam-se a menos de 2 metros de mim, com um areal enorme vão para o meu lado e desatam a contar uma à outra as suas aventuras extra-conjugais da semana. Detalhadamente, tão detalhadamente, que só faltou atribuírem pontuação à prestação sexual dos amantes. Pelo menos fiquei a saber que o meu treino de técnicas de invisibilidade Ninja, está a dar resultado e se não fosse a toalha a denunciar-me, teria atingido a invisibilidade total.
Mp3 nos ouvidos para não ouvir as “Vardajonas”, pouco demorou até à minha música ser abafada pelo som do Kuduro de uma aparelhagem, que um grupo de portugueses que entretanto chegou, resolveu oferecer aos veraneantes que estavam no raio de 1km deles e logo por azar, estacionaram-se a o meu lado. O grupo era composto por aquele tipo de jovens cujo sonho era ter nascido num bairro africano da Amadora e tentam falar criolo entre eles, ouvem músicas africanas, porque desconhecem a rica história e identidade do seu próprio país de que se deviam orgulhar, mas preferem vincar a sua imbecilidade, também conhecidos na gíria por “Basofes”.
“Vou passar pelas brasas, pode ser que quando abrir os olhos, pode ser que acorde numa praia melhor…” pensei eu cá para comigo próprio.
Dito e feito. Abstrai-me dos tsunamis de areia com que os putos me presenteavam quando passavam, abstrai-me das bolas de vólei e de futebol com que ia levando no lombo ciclicamente e comecei a sonhar…comecei a sonhar que ia ser molestado sexualmente por aquelas duas predadoras, que as crianças da praia se juntaram todas e estavam a atirar-me areia para cima para me enterrar vivo, comecei a sonhar que eu era a notícia de abertura do Telejornal “Banhista enfurecido que espancou grupo de 20 jovens sem motivo aparente ainda está em fuga” e acordei sobressaltado…
Para além de sobressaltado, acordei com uma valente dor de cabeça. Olhei em meu redor, o panorama era igual, excepto um grupo de “Tunnings” que se agruparam no único ponto cardinal em falta, ou seja, a sul dos meus pés. Em milésimos de segundo percebi que os meus sonhos parvos e a dor de cabeça, não era mais que efeitos secundários da fumarada dos charros que eles consumiam activamente, e eu passivamente. Tudo não passou de alucinação. Os putos não me enterraram vivo, as 2 mundanas olhavam só mas não me atacaram e os 20 “Basofes” ainda estavam todos de pé.
Pena a repórter da RTP que se encontrava a fazer um directo da inefável Praia de Carcavelos, não me ter perguntado como estava a ser o meu dia de praia quando passei a 5 metros dela, no momento em que abandonava a praia…ia sair uma reportagem digna de ser recordada na história do jornalismo...Lol

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