O meu novo romance já à venda
Ao
longo de 455 páginas, narra a história de um homem que era tão tímido, mas tão
tímido que, era incapaz de revelar o amor que sentia pela mulher com que viajava
diariamente na mesma carruagem do comboio e por quem estava apaixonado há meia
dúzia de anos. Com receio de não ser correspondido, reprimia sempre os seus
afectos e sofria em silêncio.
Ele
achava que a mulher era demasiado fantástica, nunca se iria interessar por
alguém tão simples como ele e não iria aguentar a rejeição, isto para além do
facto de ter receio de corar ou ficar sem jeito se lhe dirigisse uma única palavra. Um
dia, por obra do destino, senta-se no banco à minha frente e lavado em lágrimas conta-me a sua
ilíada sentimental de angústia e o seu sofrimento.
Escutei e dei-lhe a minha opinião sincera respondendo-lhe: “Sócio, esse
assunto já te consome há bué tempo e tu nunca vais ganhar coragem para lho
dizer…caga para ela!”
Marreco, és um génio!!! (exclamou ele) Posso dizer-lhe tudo o que
sinto por ela em código morse, através de "traques", já que não o consigo
verbalizar…Obrigado Marreco!!! Obrigado!!!
E
assim foi. Decorou o Código Morse e no dia seguinte, há hora de sempre, na
carruagem do costume, o homem tímido alçou a perna e começou dar sonoros peidos
e começou por dizer:
∙- -- --- - ∙
Apesar
da repulsa, das agressões, das injúrias e das ameaças diárias dos restantes
passageiros, o Peida-Amor fazia extensas e emotivas declarações amorosas em
código morse à sua amada, declarações em que exprimia o que o consumia e o que
consumia...
Como
todos os meus livros, esta história tem um final triste, porque com a brutal
quebra de passageiros causada pelo personagem, as receitas diminuíram, os
maquinistas entraram em greve, a CP foi privatizada e vendida aos Angolanos, que
, por sua vez, acabaram por desmantelar a empresa e vender os comboios ao ferro velho a peso. E a mulher pelo qual o nosso herói suspirava de amores, comprou carro próprio
e nunca mais se voltaram a ver…


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