O PORTEIRO DE DISCOTECA ESTRÁBICO
’Tóni Zarolho’ era o Porteiro do mais afamado
e frequentado estabelecimento de diversão nocturna em Sintra, o “Larga Aqui o
Guito - Bar”.
António ganhou esse cognome quando decidiu
alterar o seu contador da EDP residencial para a tarifa bi-horária e ficou
vesgo no final do mês ao tentar decifrar o conteúdo da factura simplificada que
estes lhe enviaram para cobrança.
O estrabismo de Tóni passou a influenciar
o seu desempenho profissional e marcou para sempre o rumo da sua vida.
Tóni fitava a fila dos clientes do bar,
olhava com desdém para os mais mal vestidos ou com mau aspecto e barrava-lhes
imediatamente a entrada, contudo devido à sua deficiência adquirida, que lhe
causava ilusão óptica estrábica, apontava para os mais apresentáveis, ficando
estes fortuitamente impedidos de aceder ao interior.
O Bar ficava assim cheio de pessoas de
índole duvidosa e de aspecto assustador no seu interior, ao invés, aos mais
endinheirados e melhores clientes era-lhes negado o direito de admissão.
Despedido e sem emprego, Tóni teve que
procurar nova fonte de rendimentos.
Trabalhou como carteiro nos CTT, mas foi despedido porque trocava os destinatários da correspondência nas respectivas caixas de correios; Trabalhou como Distribuidor de Pizzas, mas foi despedido porque enganava-se a consultar o mapa. Em vez de entregar as pizzas na Ericeira, entregava-as frias e cobrava-as à força em Rio de Mouro, a clientes que não as tinham encomendado e recusavam aceitar; Trabalhou num talho, foi despedido porque guardava os bifes na caixa registadora e retalhava o dinheiro usado pelos clientes para pagar; Trabalhou como Auxiliar numa maternidade, foi despedido porque após dar banho aos bebés, trocava todos nos berços, havendo notícia de por lapso, ter forçado pais chineses a levar para casa bebés guineenses…
Trabalhou como carteiro nos CTT, mas foi despedido porque trocava os destinatários da correspondência nas respectivas caixas de correios; Trabalhou como Distribuidor de Pizzas, mas foi despedido porque enganava-se a consultar o mapa. Em vez de entregar as pizzas na Ericeira, entregava-as frias e cobrava-as à força em Rio de Mouro, a clientes que não as tinham encomendado e recusavam aceitar; Trabalhou num talho, foi despedido porque guardava os bifes na caixa registadora e retalhava o dinheiro usado pelos clientes para pagar; Trabalhou como Auxiliar numa maternidade, foi despedido porque após dar banho aos bebés, trocava todos nos berços, havendo notícia de por lapso, ter forçado pais chineses a levar para casa bebés guineenses…
Contudo o seu triste fado mudou. Tóni
tornou-se banqueiro e logo no seu primeiro ano foi votado por unanimidade pelos
seus colegas de profissão como o Banqueiro do Ano e surgiram rumores de que,
com aquele desempenho, ainda chegaria a Ministro.
Porque era tão bom no que fazia? (Perguntar-se-ão
vocês voyeurs leitores masculinos enquanto
minimizam esta janela e maximizam a do Facebook, no intuito de comentar a
publicação mais recente de uma ex-concorrente da Casa dos Segredos, acompanhada
da 83ª foto desta a fazer poses no espelho da casa de banho, com a legenda:
“Simplesmente eu”, enquanto que, as leitoras preocupadas leitoras femininas
opinam na mesma rede social sobre o tópico de uma leitora indecisa: “Desconfio
que o meu marido já não gosta mais de mim. Ele passa mais tempo a ver a Benfica
Tv do que comigo e hoje disse-me que não havia de morrer sem entrar nos
balneários e conhecer pessoalmente todos os jogadores. Será que ele virou
homossexual por estar obcecado com todos aqueles homens?”)
Tóni olhava para os papéis de concessão de
um crédito a uma empresa viável com necessidades de financiamento e sem querer
agarrava nos papéis do cesto ao lado (Pasta de Projectos Parvos – vulgo: PPP´s)
que estavam ao lado e atribuía o crédito a projectos de construção de Bombas de
Combustível sobre tectos de Centros Comerciais, projectos de expropriação de
praias nacionais para a construção de campos de golfe privados sobre o areal
praia e, o seu feito mais famoso, o Roulottódromo, em que foi arrasada toda a
Tapada de Mafra, que deu lugar a um complexo gigantesco que concentrou todas as
roulottes de bifanas, cachorros e pães com chouriço que havia em todo o país e as
albergou todas no mesmo local, tornando-o num dos mais famosos destinos
turísticos portugueses, mais rentável que o Santuário de Fátima.
Não foi com espanto que se tornou público
esta semana que o Roulottódromo de Mafra foi classificado pela UNESCO com
Património da Humanidade e do Colesterol.


<< Home